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A varejista que lucra como uma listada e não está na bolsa

A HAVAN lucrou cerca de R$ 1,5 bilhão em 2025. Em 2019 eram R$ 428 milhões, e o caminho entre um número e outro está nos seis balanços que a companhia publicou.

Por Balanços Patrimoniais04 de agosto de 20263 min de leitura

A abertura

A HAVAN lucrou cerca de R$ 1,5 bilhão em 2025. Em 2019 eram R$ 428 milhões, e o caminho entre um número e outro está nos seis balanços que a companhia publicou.

A empresa da quinzena

A HAVAN é de capital fechado. Não tem ação na B3, não divulga resultado trimestral e não faz teleconferência. O que existe é o balanço publicado, e é dele que sai tudo o que vem abaixo: lemos os seis exercícios entre 2019 e 2025, conta por conta.

O que os números mostram é mais interessante que o crescimento do lucro em si. A receita subiu 73% no período e o lucro subiu 247%. A margem líquida dobrou, de 5,4% para 10,9%. Ou seja: o ganho não veio de vender muito mais, veio de cada venda deixar mais.

A margem bruta conta a primeira metade dessa história. Era 33,9% em 2019 e fechou 2025 em 39,7%. São quase seis pontos a mais em cada real vendido, antes de qualquer despesa de operação.

A segunda metade está no que a empresa deixou de gastar. A compra de imobilizado caiu de 4,5% da receita em 2019 para 1,3% em 2025, com uma passagem por 0,3% em 2023. Uma varejista que reduz a esse ponto a compra de ativo fixo não está abrindo loja: está operando o que já tem.

O prazo médio de recebimento encolheu de 119 para 51 dias no mesmo intervalo. É dinheiro entrando pela metade do tempo sobre um faturamento maior, e aparece no caixa: a geração operacional saiu de R$ 820 milhões em 2019 para R$ 2,2 bilhões em 2025.

Corrigido pela inflação, o ativo total é 17% menor hoje do que era em 2019. Uma empresa que ficou menor e mais lucrativa ao mesmo tempo. Não é o retrato que se espera de uma varejista em expansão, e é o tipo de coisa que só aparece quando se tem os seis exercícios lado a lado.

Um número que pede contexto antes de virar manchete: o retorno sobre o patrimônio líquido de 2025 dá 160%. Ele é alto porque o denominador é pequeno. O patrimônio líquido encolheu enquanto a companhia distribuía R$ 1,51 bilhão no exercício. É um indicador que diz tanto sobre a política de distribuição quanto sobre a rentabilidade, e lido sozinho engana.

Fora do radar

4Bio Medicamentos, exercícios de 2018 a 2024

Zee Dog, exercício de 2020

Editora Globo, exercícios de 2019, 2022 e 2023

Como ler

Prazo médio de recebimento (PMR). Diz quantos dias a empresa leva, em média, para receber o que vendeu. Cai quando a companhia vende mais à vista, encurta o parcelamento ou aperta o crédito ao cliente.

É um dos poucos indicadores que melhora o caixa sem depender de vender mais. Na HAVAN caiu 68 dias em seis anos: o mesmo faturamento entrando muito mais rápido.

Onde olhar: contas a receber sobre a receita, multiplicado por 365. Se o prazo cai e a receita sobe junto, é sinal de mudança no mix de pagamento. Se cai com a receita parada, costuma ser aperto de crédito. No Excel esse cálculo já vem pronto, exercício por exercício.

No site

Os seis exercícios da HAVAN estão no site em dois formatos. O balanço publicado em PDF, página por página, para conferir a origem de cada número. E o Excel com as contas já separadas, os 28 indicadores calculados e a linha do balanço de onde cada conta veio.

Subiram também 4Bio Medicamentos, Zee Dog e Editora Globo, nos mesmos dois formatos.

Vá além da notícia

Veja o balanço completo da HAVAN — PDF e Excel

Ver balanço da HAVAN

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