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M&A

Terras raras: a venda da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões coloca o capital fechado brasileiro no centro do mapa

A USA Rare Earth comprou a Serra Verde, única produtora de terras raras magnéticas fora da Ásia, por US$ 2,8 bilhões. O caso mostra como ativos estratégicos de capital fechado, fora do radar da B3, movimentam cifras bilionárias.

Por Equipe Balanços17 de junho de 20265 min de leitura

A USA Rare Earth anunciou a compra da brasileira Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões. A operação combina US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,9 milhões de novas ações da compradora, e deve ser concluída no terceiro trimestre de 2026. Por trás do número, há uma história que interessa diretamente a quem analisa empresas: o ativo mais estratégico do negócio nunca passou pela bolsa.

O negócio em números

A transação tem três cifras que resumem seu peso:

- US$ 2,8 bilhões de valor total, divididos entre caixa e participação acionária na compradora. - US$ 300 milhões em dinheiro, com o restante pago em 126,9 milhões de novas ações da USA Rare Earth. - Mais de US$ 1,1 bilhão já investidos na mina antes mesmo da venda.

Os vendedores são os fundos Denham Capital, Energy and Minerals Group e a Vision Blue, veículo do ex-presidente da Xstrata, Mick Davis. A conclusão depende das condições usuais de fechamento e está prevista para o segundo semestre.

O que é a mina Pela Ema e por que é única

A Serra Verde é dona da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás, que entrou em produção comercial em 2024. O diferencial não está no minério em si, mas no que ela consegue separar: é a única operação em escala fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos de terras raras, o neodímio, o praseodímio, o disprósio e o térbio.

São esses quatro elementos que viram ímãs permanentes, peça central de carros elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones e equipamentos de defesa. A meta operacional é alcançar 6.500 toneladas por ano de óxidos de terras raras até 2027, e um contrato de 15 anos já garante a venda de 100% da produção inicial, com pisos de preço definidos que reduzem o risco de mercado.

Terras raras e a disputa entre Estados Unidos e China

Nenhuma transação de terras raras hoje é só um negócio privado. A China controla cerca de 90% do refino global desses elementos, e Estados Unidos e aliados tratam a dependência como questão de segurança nacional. A própria USA Rare Earth destaca o apoio do governo americano à operação.

Nesse tabuleiro, um ativo brasileiro deixa de ser apenas uma mina em Goiás e passa a ser uma peça da reorganização da cadeia ocidental de suprimentos. É o tipo de relevância que costuma escapar de quem mede importância apenas pelo valor de mercado em bolsa.

A lição para quem analisa empresas

Aqui está o ponto que mais interessa ao investidor e ao analista: a Serra Verde é de capital fechado. Não tem ações negociadas na B3, não divulga resultados trimestrais para o home broker e, ainda assim, foi avaliada em quase US$ 3 bilhões.

Esse é o retrato da economia brasileira real. A maioria das companhias relevantes do país, de cooperativas bilionárias a mineradoras estratégicas, opera longe do pregão. Quem acompanha apenas as listadas enxerga uma fração do mercado e perde de vista onde parte do valor de fato está sendo criado e transacionado.

Acompanhe pelos números

Casos como o da Serra Verde reforçam por que a leitura de balanços de empresas fechadas virou vantagem competitiva. Na plataforma Balanços, você acessa as demonstrações de mais de 28 mil empresas, boa parte de capital fechado, busca por CNPJ, setor, estado e ano, e exporta os dados para Excel para construir sua própria leitura. Quando o próximo ativo bilionário fora da bolsa aparecer, você não vai precisar esperar a manchete para entender os números.

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