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M&A

US$ 3,4 bilhões: por que a joint venture da Suzano com a Kimberly-Clark redesenha o mapa global do tissue

A Suzano pagará US$ 1,7 bilhão para ficar com 51% de uma joint venture de US$ 3,4 bilhões que reúne o negócio internacional de tissue da Kimberly-Clark: 22 fábricas, 9.000 funcionários e marcas como Scott e Cottonelle. Com aval da União Europeia e do Reino Unido, a brasileira deixa de ser apenas fornecedora de celulose e passa a controlar marcas globais de consumo. Entenda o que muda na tese de SUZB3.

Por Equipe Balanços10 de junho de 20266 min de leitura

A Suzano deu o passo mais ambicioso da sua história fora da celulose. A companhia fechou uma joint venture com a americana Kimberly-Clark para controlar o negócio internacional de tissue da multinacional, e o número que define a operação é grande: US$ 3,4 bilhões. É o tipo de movimento que reorganiza não só o balanço de uma empresa, mas o mapa competitivo de um setor inteiro.

O anúncio e o número que importa

A nova companhia nasce avaliada em US$ 3,4 bilhões, com a Suzano detendo 51% e a Kimberly-Clark, 49%. Para assumir o controle, a brasileira desembolsa US$ 1,7 bilhão. Em outras palavras: a Suzano paga para ser a sócia majoritária e consolidar o negócio nas suas demonstrações. Não é uma participação minoritária passiva, é controle, com tudo o que isso implica em consolidação contábil.

Como o negócio foi estruturado

A nova empresa terá sede na Holanda e reunirá o negócio internacional de tissue da Kimberly-Clark. A escolha do controle (51%) e do pagamento de US$ 1,7 bilhão deixa claro o objetivo: a Suzano quer comandar a operação, não apenas participar dela. A estrutura de joint venture permite dividir capital e risco com um parceiro que conhece o mercado de marcas, enquanto a brasileira entra com músculo industrial e acesso a fibra.

A escala que a Suzano herda

O tamanho do ativo é o que torna a operação relevante. A joint venture controla:

- 22 fábricas espalhadas por Europa, Ásia, Oriente Médio, América do Sul e Central, África e Oceania - Cerca de 9.000 funcionários - Marcas globais de consumo como Scott, Cottonelle e Kleenex/Viva

De um dia para o outro, a Suzano deixa de ser conhecida apenas como uma das maiores produtoras de celulose do mundo e passa a operar marcas que chegam ao consumidor final em dezenas de países.

Da fibra à marca: a lógica de verticalização

A racionalidade financeira da operação é a verticalização. A Suzano é uma das produtoras de fibra mais competitivas do planeta, com custo baixo e floresta própria. Ao controlar o tissue, ela passa a capturar margem ao longo de toda a cadeia, da floresta ao produto na prateleira.

Esse movimento tende a reduzir a dependência do ciclo da celulose, uma commodity historicamente volátil, cujo preço sobe e desce conforme a oferta global. Ao adicionar uma receita de marca, mais estável e de maior valor agregado, a Suzano busca suavizar a oscilação dos seus resultados e elevar o patamar de rentabilidade ao longo do tempo.

O carimbo dos reguladores e o cronograma

Operações cross-border desse tamanho costumam esbarrar nos órgãos de defesa da concorrência. Nesse ponto, a Suzano avançou rápido: a União Europeia aprovou a joint venture sem condições em 11 de maio de 2026, e a autoridade de concorrência do Reino Unido (CMA) liberou o negócio em 28 de maio, sem encaminhá-lo para uma investigação mais profunda. Com os principais sinais verdes obtidos, o fechamento da transação está previsto para meados de 2026.

A aprovação sem condições relevantes é um detalhe que importa para o investidor: retira boa parte do risco de execução que derruba ou atrasa fusões desse porte.

O que ler no balanço da Suzano daqui pra frente

Para quem investe ou analisa SUZB3, a pergunta deixa de ser "a Suzano fechou um bom negócio?" e passa a ser "como esse negócio entra no balanço?". Consolidar 51% de uma operação global significa trazer ativos, passivos e dívida para dentro de casa. Três linhas merecem atenção nos próximos trimestres:

- A dívida líquida e a alavancagem, já que parte do crescimento envolve desembolso de caixa - A participação de minoritários, dado que 49% do resultado pertence ao sócio - A geração de caixa operacional, que dirá se a verticalização realmente entrega a margem prometida

É aqui que o acompanhamento dos números faz diferença. Na plataforma Balanços, você acessa as demonstrações completas da Suzano e de mais de 28 mil empresas, compara trimestres lado a lado e acompanha a evolução de pares do setor de celulose. Quando a JV começar a aparecer nos resultados consolidados, você poderá exportar os dados para o Excel e construir a sua própria leitura, sem depender da manchete para entender se a aposta de US$ 1,7 bilhão valeu a pena.

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